QUANTOS QUERES?

QUANTOS QUERES?

Quando nos conhecemos, já não tínhamos idade para quantos-queres.

Éramos da mesma turma, ficámos amigos e — algures entre o recreio e a sala de aula — apaixonámo-nos um pelo outro.

Não sabemos bem quando, onde ou porquê. Um dia (que nunca saberemos precisar), algo clicou entre estes dois adolescentes de borbulhas na cara e aparelho nos dentes.

Mas antes desse clique, e numa espécie de contrariação ao início desta história, houve um quantos-queres. Dela para ele.

O primeiro gesto que disse “tu importas para mim”.

Nesse quantos-queres podia ler-se a mesma palavra repetida, em qualquer que fosse o lado escolhido.

Uma palavra que continuamos a repetir um ao outro vezes e vezes sem conta. As vezes que forem precisas.

Uma palavra que mostra, todos os dias, ser tão importante como um “amo-te” — mesmo quando é dita através de um quantos-queres.